a terra eh redonda e eh deserta. nunca tinha visto nada assim. uma olho de peixe com dunas, dunas, dunas, dunas...
como se tivessem concretizado o meu sonho de estar num sitio assim deserto sem ter fim.
sabem o que estava a ouvir? galvanize. se a musica vos vem ao ouvido percebem porque cabia tao bem ali?
cheguei a lisboa e estah tudo igual. de repente senti me triste por voltar, mas sinto sempre isto quando venho de onde vi e senti coisas diferentes de tudo o que conheco. that s life.
dia inteiramente livre para actividades de caracter pessoal. fazer compras em frente ao polana e ao largo da avenida.
falar com quem vende. comer um gelado bom e monumental no shopping polana. falar com eles que estavam na rua sem nada para fazer.
ir a um centro onde se fazem batiques. calmamente observar um casamento no palacio com gente a cantar. despedir me da mina. perder completamente a nocao do tempo e deixar o museu de historia natural por ver. tirar fotos aos malangatanas com dinossauros ah frente.
conseguir que uns mocambicanos me deixassem de livre vontade lhes tirar uma foto com uns caes de estimacao que passeavam e dos quais gostavam e nao tinham medo. tudo coisas raras nesta terra aonde nasci.
acabei o dia aonde comecei a noite no primeiro dia que estive em maputo, na esplanada do hotel cardoso, mas desta vez a despedir me da tartaruga, a minha gata de maputo.
a vista daqui hoje estah ainda mais bonita, porque com o frio (20ºC) que entretanto se faz sentir em maputo a paisagem fica mais limpida, nao sei, ou eh dos meus olhos que ao fim deste tempo jah estao diferentes. ao fim do dia, jah quase noite, fui com a ana e o pedro ah baixa, ao cinema scala.
um previlegio entrar no escritorio que tinha uns candeeiros lindos.
e o senhor que lah estava convidou nos para vermos o ken park nessa noite. o senhor era um realizador de cinema que organizava agora sessoes para uma especie de cineclube, mas nao me lembro do nome dele.
fomos ao escorpiao. uma cervejaria tipicamente tuga. comemos umas ameijoas divinais e a melhor mousse de chocolate de mocambas.
e pela primeira vez na minha vida foi bom ir para o check-in: fui com o pedro e o chico fazer o tal 3 horas antes do voo. malas despachadas, voltamos para a cidade. jantahmos num sitio optimo e voltei meia hora antes do voo partir para entrar no aviao. perfeito. nao custou nada. nao houve esperas, foi como apanhar um comboio.
durante o jantar aconteceu algo para nao me esquecer o que se passa aqui. como jah devem ter reparado, quase nao jantei fora em maputo, dai que nunca tinha visto esta cena. era uma esplanada onde estahvamos. os `artistas´ desfilavam ah nossa frente. como numa passerelle. ou vah, num leilao. desfilam em frente aos restaurantes para lhes verem e com sorte comprarem as obras. nao falam. limitam se a olhar para nohs que comemos refastelados. com aqueles olhos que nao quero saber se sao de tristeza ou de estimulo a esta compaixao. os quadros nao sao nada bons, mas a vida de muitos deles tambem nao. e estar aqui foi bom para ver e saber disto tudo.
saimos para o aeroporto e despedi me deles, grandes amigos nestas ferias. quase nem me lembro do voo durante a noite. acho que entre o sono ateh jantei. dormi profundamente.
acordei 8 novamente. fiquei na ronha quase ateh ahs 10. da escola internacional vem o som de uma menina a tocar xilofone. vi da janela que eh indiana. mais tarde cantam o `oh susana´ em ingles. aqui em maputo ha espaco para muitas linguas.
camarao assado. e viva o camarao da minha terra que eh o melhor do mundo. a ana e o pedro deixaram me na esquina da cristal. fiquei um pouco a pensar que chapa devia apanhar. aqui eh mais dificil, todos eles vao para sitios que nao sei, o sitio real aonde vive muita muita gente. soh conheco xipamanine. falei com uma senhora. este aonde vou desce a 24 de julho toda. depois do surf as esquinas tornam se mais sujas, chego ah esquina com a guerra popular. os meus mapas nao sao muito bons a precisar onde ficam os museus. ando mais um quarteirao e dou de frente com uma imagem que jah tinha visto algures em livros. eh uma fundacao.
estou ah procura do museu da revolucao. assustei um senhor dentro de um toyota carina azul claro cueca e perguntei lhe pelo museu da resistencia. o da revolucao. sim, exacto, esse. eh um edificio de 4 andares que parece quase nunca receber visitas. abrem a porta de proposito para mim.
antes, e para explicar porque me emocionei fico a olhar para o discurso de abertura do samora machel. tinha uma letra de tipo escola primaria com um texto cheio de sonhos que em 1976 ele ainda nao sabia que nao se iam tornar realidade. que a estoria destes que fazem mocambique ainda nao eh divulgada e continua de certa forma esquecida. porque onde nao ha pao nem esgotos, a liberdade e a independencia nao deixam de ser muito importantes mas parecem me coisas pequenas. nao me compreendam mal. nao sei ateh como se pode deixar de ver que isto nao era tambem portugal. e separar o acesso ao ensino pela cor da pele parece me coisa abominavel. talvez apenas sinta eh que infelizmente todos aqueles desejos legitimos nao passam de um sonho, que se eh bonito, nao altera a vida real das pessoas que aqui vivem.
sai daqui a tentar chegar ah ho cho min sem nada me acontecer, evitando para minha infelicidade, um mercado improvisado e manhoso que havia ali perto. foi dificil encontrar o museu nacional de arte. ou os guias teem as esquinas erradas ou sou eu que vejo mal. sou eu que vejo mal. o museu tem uma caixa para doacoes ah entrada. nao se paga bilhete. donar. explica o senhor da entrada. comprei uns livros sobre a musica de mocambique. as obras sao pinturas e esculturas, na maioria, e uma ou outra instalacao sem piada nenhuma. ve se porque o malangatana e o chissano sao mais falados. as esculturas makonde do segundo entram por nohs adentro.
ainda aqui dentro perguntei pelo mozarte, eh ao virar da esquina. a mozarte eh uma especie de cooperativa de artistas que fazem e vendem tecelagem, escultura, reciclagem, batiks, ceramica. tambem se pode ter aqui aulas e aprender a fazer. quem me explica isto tudo eh o sr. max que me fez uma visita guiada aos ateliers que estao todos voltados para um atrio/patio interior da casa.
daqui segui pelas ruas ah volta do mercado ateh ao cafeh continental. comecou a chover e comprei dois bolos e um sumo. enquanto esperava que a chuva passasse abrigada na esplanada do continental veio ter comigo o inacio, o rapaz dos batiques.
o inacio jah tinha tentado no dia anterior a sua sorte para me vender aqueles quadros feitos de cera que ha por todo o lado, mas a boleia da ana e a minha falta de vontade de comprar deram cabo do negocio. desta vez eu tinha mais tempo, ia de chapa para casa... acho que foi a segunda vez que comprei alguma coisa com uma nova tecnica: a tecnica de ateh nao queria comprar. juro que nao eh uma tecnica programada. o caso eh que o inacio queria muito vender me os batiques. e tinha um daqueles sorrisos deles que me fazem deixar que me mostrem batique a batique, quadro a quadro.
a questao de verdade aqui eh que eu tinha que por os postais no correio. e soh tinha comigo pouco mais de 300 contos. e expliquei ao inacio que voltava no fim de por os postais. pois os correios de mocambique ateh funcionaram lindamente, mas diabos, 25 contos para enviar uma carta parece me demais. mas tinha que ser. soh que sobraram apenas 30 contos para o batique do inacio... e ele sempre com a esperanca de que fosse 50. bem, expliquei lhe que tambem eu tinha que apanhar um chapa e que por isso o resto dos trocos que tinha eram para isso. e ele ficou a olhar. sim, porque nestes chapas, como nos outros, nao se veem estrangeiros de todo. o certo eh que lah fizemos negocio, mesmo depois de eu lhe dizer que se achava que era pouco dinheiro ficava tudo bem na mesma, mas ele assim vendeu, contente na mesma. pedi lhe ajuda para me dizer o melhor sitio para apanhar o chapa dali da baixa para a parte alta e tirei lhe uma foto, para ele ficar na minha memoria.
entrei sem saber o destino do chapa e tive que sair na esquina com a mao tse tung. dei uma volta hiper rapida ao mercado janeta e sai porque num mercado que jah nao estah em funcionamento, uma rapariga ao fim da tarde, que estah ali a fazer?
fui ah procura da eduardo mondlane, mais ruas e ruas com vivendas lindas e arvores com folhas e folhas. passei pelo pronto a vestir afro, que jah tinha visto algumas vezes ao passar de carro. na esquina com a mondlane apanhei o meu ultimo transporte publico em mocambas: um autocarro dos anos 50. este sim ia para o museu (a paragem mais perto da nossa casa) e jah cah devia andar na terra desde muito antes de eu nascer. o cobrador nao tinha troco e por isso a viagem ficou ainda mais barata do que de chapa. 4 contos.
fomos fazer o primeiro jantar de despedida com o chico. jantamos num indiano que era como estar em nova delhi. uma daquelas grandes familias de indianos ocupava uma parte da sala com um aniversario. o indiano que servia ah mesa falava melhor ingles que portugues. e voltamos no defender do chico. e foi um dos melhores jantares da viagem. eh bom ganhar amigos assim. de uma viagem.
de seguida fomos ao africa bar, que fica no antigo cine africa
e aonde ahs quintas ha musica ao vivo. a entrada fazia lembrar um outro qualquer bar ou discoteca numa outra qualquer cidade do mundo. lah dentro havia quase tantos estrangeiros como mocambicanos e elas (as mocambicanas) estavam arranjadas como nunca vi. lindas e altas, muito mais altas do que eu. encontrei o orlando, um amigo de um pedro amigo de lisboa, no meio daquilo tudo, meio ahs cegas, porque soh tinha visto a cara dele num blog. estivemos para ali a ouvir a musica enquanto era ao vivo, mas depois comecou a dar musica dos anos 90 e pedi lhe para irmos dar uma volta.
fomos ah baixa, de noite, onde todas as pessoas que por ali deambulam de dia, nao estao. finalmente conheci a rua do bagamoyo e o luso e o mambo s e outro que nao me lembro o nome. uma visita safari. foi giro, mas a noite de maputo nao se pode dizer que seja uma grande noite, ou sou eu que jah nao estou muito para isto. fomos para casa. eu estou estoirada...
relogio biologico acertado para as 8 da manha. hoje sai de casa pelas 10. fui directa ao nautilus e descobri que o sumo de mistura ahs vezes pode mesmo ser um sumo natural da mistura de muitas frutas :). o melhor sumo natural de mocambas. e duas chamussas. fiz a avenida julius toda ateh ah lam e descobri a igreja dos citrinos. a santo antonio de polana. daqui, e de volta ah procura da vila algarve andei que me fartei e ora, uma pequena desculpa para chapa, de caminho para o museu. a mesma sensacao de sempre, o sitio mais seguro.
almocamos todos em casa e a ana deixou me na baixa, estava a chover.
encontrar postais era a primeira missao. coisa dificil esta de ser turista por aqui.. nos monhehs ha montes de empregados mocambicanos quase a atropelarem se uns aos outros, mas ha pelo menos postais do tempo da guerra. sigo para o elefante, comprei as capulanas e os lencos para a cabeca, sai e fui de novo ao mercado. a minha colher de pao mozambas tambem jah estah. vou para o continental beber a coca cola que jah se tornou um habito e ver o que se passa. um balde com agua e uma esponja serve para deixar o carro de um indiano a brilhar. a estacao de servico de lavagem funciona em qualquer lado. o scala eh um cinema que estah aqui em frente com bollywood. caixas de cartao servem de barraquinhas para vender snacks.
lanchamos, jantamos na cervejaria cristal. caranguejo recheado eh acorda de caranguejo e o caranguejo cozido eh: divinal! fui dentro do centro comercial polana por dentro pela primeira vez (apolo setenta anos noventa)e viemos para casa. serao entre livros e conversas.
acordei e fiquei por casa, entre ter net normal outra vez e passar por agua o equipamento de mergulho fui conversando com a nina. entre o vendaval do dia anterior (na zona onde ela vive a caminho de matola nao houve estragos) e o facto de ela ter 23 anos a jah ter 2 filhos e eu ter 32 (que ela quase nao acredita) e nao estar sequer casada. ela diz que se pudesse nao estava casada, que os maridos em mocambique sao muito ciumentos, e nao deixam uma mulher ir para lado nenhum. e que casar eh uma grande responsabilidade, porque depois veem os filhos, enfim... o nosso mundo eh diferente, diz me ela. cada um eh muito mais livre para fazer o que quer com a vida, aqui as mulheres nao teem opccao, porque os homens sao muito insistentes.
almocamos, eu e o pedro, e saimos para dar uma volta. hospital central ( de miguel bombarda antes), tvm, cais para ponta de ouro, feira popular.
cfm e descobrir onde fica o elefante branco e de volta na 25 de setembro fomos conhecer o isctem e uma pastelaria igual a outra qualquer em tugaland, o perola. um belo gelado de ananas e manga. desta vez fomos dar uma volta ateh ah zona de sommerchield, onde a empresa para onde o pedro trabalha tem as instalacoes. e comprei musica na conga. uma loja de instrumentos. e cd´s. mais um dia feito. eles a dancarem quando comeca a musica...
fomos buscar a ana ah escola.
o jantar foi em casa do miguel e da zaida, uma moamba de amendoim e galinha (que a zaida eh angolana). a melhor moamba do mundo ateh agora. lah fora na varanda maputo eh uma cidade que dorme cedo, pelo menos nesta zona aonde estamos.
o pedro e o francisco comecaram a empresa kafkiana de ir ah policia tentar reaver a prancha dele... vai ter muitos episodios a novela...
saimos todos menos a aurora. hoje a ana e o pedro tambem mergulham comigo. eh num sitio chamado tabletop, a 40 metros, mas nao fomos a mais de 31. e nada de narcose. no sharks, no narcose. estah tudo bem brother. vimos um grupo enorme de raias diabolicas. o meu primeiro scorpionfish e eu nadei no meio de uns peixes amarelos com cauda na cabeca branca aos montes.
depois do mergulho regressahmos a inhambane, para prepararmos o nosso regresso. almocei no ponto final, um peixe vermelho, e fui ah praca tentar encomendar as pulseiras; depois de regatear um pouco (achei os mocambicanos muito pouco regateadores tendo em conta outros paises aonde jah estive!), disseram me que uma hora depois jah estavam prontas. tambem comprei macas importadas de maputo, 7 contos cada. fomos levar o grelhador ah casa da correspondente da tvm aqui na terra, despedimo nos da aurora na escola, levantamos pao sura e as pulseiras e seguimos para sul.
viagem sempre a abrir, interrompidas por 2 cenas semelhantes de policias com radares a marcar excesso de velocidade. o primeiro stop foi o mais hilariante. pediu 500 contos para pagar e dissemos que soh podiamos pagar em maputo. deu nos a carta e os documentos de volta. o pedro tem um jeito especial para falar com eles. a segunda paragem foi mais demorada, mas acho que desta iamos mesmo em excesso de velo, por isso o sr. guarda foi apenas simpatico e deixou nos ir.
passamos em xai xai. eles explicaram me que aqui as cheias de 2000 inundaram quase tudo. pudera. isto eh planicie a perder de vista.
passamos em manhica mas jah era muito tarde. vi de esquina o bar da cleo mas nao deu para parar.
perto jah de maputo, vemos arvores no chao, telhados de zinco na estrada... a zona de benfica, ao km 14 a chegar a maputo. um temporal de 10 minutos arrasou tanto. depois mais tarde vamos ouvir falar disto no jornal da tvm. foi por um triz. desta vez as barracas de venda teem velas em vez de meia luz.
e aquilo que eu vejo entranha se cada vez mais. entramos pela cidade e nao ha placas. pergunto me como nao me perderia se andasse de carro sozinha por aqui. e foi a seguir.
na avenida 25 de setembro, uma longa avenida que vai dar ah baixa, havia uma enorme poca de agua. enquanto observavamos por onde passar, e como vinhamos em modo inhambane terra de boa gente, abriram nos a canopy da pickup e em 5 instantes tiraram a prancha do chico e a mochila dele. soh tivemos tempo para arrancar a toda a velocidade e seguir ateh casa para ver o que tinha faltado. pois eh. aquela eh a zona que o livro frances e o ingles, e toda a gente, fala. ateh mais ah frente no tempo dessa zona me falam. pratica de roubar as mercadorias dos comboios que saem de maputo.
enfim. correu bem dentro do possivel, dado que ateh as portas do carro tinhamos abertas... fomos para casa jantar e dormir...
ninguem diria que eh domingo. acordo ahs 5 e quarenta e cinco (ninguem diria que sou eu mesmo). eu e o francisco vamos para tofo.
ele para as ondas, eu para o fundo do mar. no caminho para lah o motor do semirigido parou de funcionar de repente. uma baleia. olhei para tras e vi a cauda a dizer adeus. mergulhei fundo. desta vez eh uma escola de barracudas que fico a ver de longe (com as barracudas nao se brinca) e uma garoupa de 1 metro ou mais a escoltar a escola. ha por aqui milhares de triggerfishes azuis. se fossem dos agressivos, nao tinhamos por onde fugir. e para finalizar, uma gigante, mas digo vos, mesmo gigante moreia com pele de favos de abelhas.
quando voltamos o chico apareceu e lah fomos nohs buscar os dorminhocos a casa. seguimos para praias mais a sul. o nosso querido toyota anda por todo o lado. areia e mais areia. chegahmos a jangamo. estas praias em mozambas nao teem fim, eh areal areal ateh mais nao. aqui fizemos um bocadinho de snorkling, mas cansei me depressa e vim para tras. almocamos em guinjate, aonde estive a tentar ensinar uns miudos a tratarem bem uma coitada cadelita obrigada a nadar numa poca de mar.
foi salva de certa maneira por mim, que os convenci a deixarem na descansar fora de agua. os caes sao mesmo animais fieis. mesmo quando mal tratados.
daqui fomos passear ah zona da barra. mais praia a perder de vista. um mangal enorme, e um francisco louco com agua ateh aos joelhos. mas nao ha. soh uns tubaroes que fizeram uns ataques a uns pescadores ha pouco tempo atras. tubaroes de aguas do mangal?
e o por do sol nas palmeiras? 1000 fotos nao dizem. de regresso paramos no mercado do giloh para o carvao, tomate e abacate. neste mercado a luz das lampadas eh de 40w.
jantamos os caranguejos que nos tinham vendido ah porta. deitar cedo outra vez.
o pedro, a ana e o francisco sairam de maputo ahs 3 e meia da manha para virem ter conosco. ahs 9 jah ca estao. quando vi o carro deles, de tanto chapa aonde tenho andado, pareceu me que tinham comprado uma pickup novinha em folha...
depois de tomarmos o pequeno almoco, saimos os 5 para o tofo. eu e a ana tinhamos uma manha de estudo pela frente e o francisco umas ondas para apanhar...
fomos para o tofinho. no carro, doenca de descompressao para a frente, narcose para tras. enfim, nada de grave. dali fomos para a primeira pitta em mozambas. no dino. fantastica. e a melhor pizza do pais com certeza. saimos a correr os 3 para a escola de mergulho.
tudo muito rapido. o ian escolheu nos o material, o jeremy deu nos um pre briefing que nao falava de doenca nenhuma, soh dos peixes lindos que iamos ver e fez me rir tanto como ah muito tempo nao. a viagem que se segue eh alucinante. entras ah mocada para dentro de um semi rigido e vais contra as ondas a uma forca tal que soh me lembra um carrossel aonde andei nas gualterianas. 30 minutos disto. entramos na agua. jah na viagem comecei a sentir o que se tornou habitual ultimamente quando vou a caminho de um mergulho: uma calma, uma satisfacao tao grande, acho que deixei de ter medo de tudo... ao meu lado vai um suico de genebra que estah a trabalhar para os medicos sem fronteiras no zimbabwe. vai ao manta reef mais que uma vez e lah em baixo eu percebo porque...
para alem de uma prova de raciocinio a 26 metros (aparentemente a minha razao funciona tao bem lah em baixo como cah em cima ... ;))eh soh mantas por todo o lado. ha um casal de mantas a ´namorar` que sao lindas!.................. no sharks. quem precisa deles quando ha por aqui estes monstros a voar tao lindos?
de volta uma viagem que pareceu mais longa e eu que me sinto uma baleia para entrar dentro do barco, ou mesmo um leao marinho... a chegada ah praia eh tal qual uma aterragem, o barco vira se para o areal, acelera, acelera, e zas, aterramos, agarrados ao centro do barco mas sem cintos de segurança, em plena praia. grande cena isto dos barcos semi-rigidos.
quando chegamos jah eh quase fim do dia,
fomos para casa, inhambane, grelhar picanha na brasa. continuam os banquetes em mocambique. ha que deitar cedo. ahs 4 e meia ouvi o muezzin da mesquita aqui ao lado. adormeci de novo. marrocos em mocambique.
de manha sai para a visita oficial ah cidade: fui pelo passeio que rodeia toda a baia. passei a mesquita nova, a mesquita velha, a pensao pachica
e a catedral nova, um edificio horrivel sabe lah deus porque o fizeram. a catedral velha eh bem mais bonita. subi ateh ah rua aonde fica o cine tofo e a casa da cultura.
segui ateh ah macaroca, o restaurante fino aqui da terra. almocei barracuda grelhado e comecei a magicar na mah disposicao que tinha. soh faltava mais esta para completar a experiencia. vim descansar para casa. dormi e suei. malaria? a filomena fala me de malaria +1 ou +3, de como a ultima eh mah como as cobras. contou me a estoria da vida dela, de como foi criada por portugueses em maputo, mas voltou para aqui para viver com a mae de sangue, com quem nao se dah especialmente bem. mas prefere viver em inhambane. pudera. isto por aqui eh uma paz. sai para comprar coisas no mercado
e tirar fotos. conheci o mandino e a isaura que me venderam os porta moedas de palha.
lah no fundo descobri um rapaz que tocava viola e com os pehs tambor.
as pessoas ah volta bebiam cerveja e alguns dancavam. os miudos todos contentes com as fotos e os filmes.
e mais um daqueles momentos para nao esquecer, como na ilha. encontrei a aurora ah saida do mercado. esta terra eh como guima. fomos comprar mais pao de coco e queijo aos monhehs. e um passevite.
a aurora convenceu me que nao pode ser malaria. pronto. ainda nao eh desta. :) em casa, na tvm, descubro que o dia em que me vou embora, 30 de abril, eh o dia da eleicao da miss mocambicana, na beira. lembro me agora da conversa com a filomena, adepta da igreja universal, e de como uma rapariga nos dias de hoje quando namora tem que se envolver ( como se a gente nao o quizesse)... e da aurora me explicar como por aqui se responde sim ou nao soh por expressoes corporais. sobrancelhas levantadas o sim. encolher de ombros o nao. muitos mais dias ah frente vou ter oportunidade de confirmar isto tambem em lisboa. no meu local de trabalho.
acordei depois de uma noite longa e bem dormida. descobri uma coisa horrivel: as fotos que o genito me tirou. as fotos tiradas dentro da casa do gabriel na ultima noite. os miudos em frente do barco sem nome ao por do sol. os videos da cidade de makuti. nem quero acreditar. quero ir para o mar esquecer... e jah queria, mas agora ainda mais quero voltar ah ilha de mocambique.
veio aqui um senhor, o ze, vender caranguejos com patas azuis. 15 contos o quilo. quando a aurora regressou da escola almocamos uns camaroes fritos com salada, bem, os melhores e mais saborosos de mocambique. combinei com a filomena (a empregada da aurora) ir amanha ao mercado comprar um ralador de coco e ela vai me ensinar a fazer leite de coco...
saimos para apanhar o chapa. fomos as duas no ultimo banco, perto da habitual janela. ainda ajudei uma senhora a reparar que estava a comprar um estendal de plastico defeituoso e o vendedor quase me matava com os olhos. felizmente o chapa partiu entretanto. ah nossa frente vai uma senhora com um bebeh que me agarra o dedo com muita forca. tem uma pulseira feita de linha de coser com um botao. para afastar os maus olhados. coisas de curandeiros. pelo sim pelo nao, muitas pessoas recorrem a eles...
chegahmos a tofo. temos a praia mesmo em frente. nada tem a ver com vilankulos. esta peninsula parece um mundo ah parte. ha palmeiras ateh ao fim da baia, lindo! tomamos banho na agua limpa limpa e compramos caju a uns miudos. 20 contos por um saco deles.
fizemos o areal todo ateh ao pontao e atravessamos para a esplanada do dino. bebemos 1/2 litro de mahon a meias.
chapa de volta. desta vez fomos ah frente. nao eh experiencia que queira muito repetir. aqui ah frente o perigo parece mais certo. :)
ao chegarmos a inhambane descobrimos que nao temos chaves de casa. temos de descobrir onde mora a filomena. aqui comeca entao a aventura. vamos por entre o makuti, becos escuros e sem luz. a casa onde mora a filomena eh de uma senhora velhota que nos convida a entrar. a casa tem muitos gatos, com pelos meiguinhos, mas eles aninham se quando me aproximo. teem medo. a filomena aparece com as chaves, tinha ido ao mercado do giloh. dizemos obrigada e saimos do makuti. jantamos com a joaquina, ela fez a base para comermos o nosso caril de marisco, a xima ( papa feita de farinha de milho que se assemelha ao funge com que se come a moamba). outro jantar divinal. na casa de aurora come se como nunca antes em mocambique.
o aguia negra eh um sitio frequentado essencialmente por quem gosta de pescar. muitos sul africanos veem cah soh para isso. vou me embora com o sr. roberto para apanhar o chapa para maxixe. 5 horas para 250 km.
rabo quadrado tal qual dizia a ana. quanto mais para sul mais me parece o sul da tailandia... algures aqui passei o tropico de capricornio.
o meu almoco, um bitoque no restaurante stop, eh servido nos meus pratos predilectos do ikea. como terao aqui vindo parar? apanhei o barco, afinal a motor, para inhambane. de tao pesado, o barco quase que afunda junto ao motor.
e quando chego ao porto de inhambane os miudos todos: ei sister, ei sister. parece que quando ehs branco falas ingles. percorri a avenida toda ateh ah escola superior de turismo e hotelaria aonde a aurora trabalha. a meio duas raparigas liam o jornal. a meias. a rir dos factos politicos. quando a aurora acabou as aulas viemos ateh casa. uma casa enorme com quintal. definitivamente eh melhor estar em casa do que em hoteis. saimos ao mercado para comprar alface, 2 abacates e canela. o mercado de inhambane eh mais limpo do que outros que jah vi.
alias, essa eh a minha primeira impressao desta terra: a mais limpa, a com menos pobreza. viemos para casa fazer o jantar. abacate com limao e salada com malagueta fresca e croquetes e chamussas fantasticas. visitaram nos um casal amigo dela, ele mocambicano e economista formado em cuba e ela cubana. vieram para cah dar aulas mas ela deixou um filho em cuba porque nao teve autorizacao para o trazer...
acordei ahs 3.30 da manha. o senhor amir levou me ao expresso para vilankulos. um pouco idiota os expressos tao cedo, depois dos comentarios acerca da seguranca no pais, mas tendo em conta o calor que se faz sentir ahs 10 da manha, faz todo o sentido... ha gente que deve estar a dormir dentro do autocarro desde ontem ah noite. pela primeira vez tenho um lugar de intervalo entre mim e a mae com o filho.
o nascer do sol dah aos rios um aspecto de filmes sobre o vietnam. paramos soh algumas vezes para comprar comida: caju, pao e bananas. acho que o habito de gostar de banana com pao me foi posto no sangue quando aqui nasci. eh o que me tem ajudado a sobreviver durante o dia de hoje.
para o meio da viagem jah o autocarro estah como qualquer chapa, cheio. no caminho eh soh palhotas e arvores que parecem feitas de borracha. lindos os embondeiros. deixaram me no cruzamento para vilankulos.
o mapa do pais nao correspondia ao pais que existe aqui. eles tinham razao. era aqui. nao tive que esperar muito. caixa aberta ateh ao mercado municipal e dai 3 km de mochila ahs costas acompanhada por duas senhoras que mal sabiam falar portugues e por isso nao percebi que me levavam ao engano: cheguei morta ao mangroove lodge e sem vontade nenhuma de fazer o caminho de volta... os donos, depois de uma fanta de laranja, fizeram o maravilhoso favor de me levar ao zombi cucumber. soh tem camas no dormitorio e neste nao fico eu : eh ao ar livre, com varias camas dispostas em circulo com o mosquiteiro por cima. nao, nao quero ser mordida ateh ah malaria. como menina mimada que sou, recorro aos sul africanos e seus lodges com A frames: veio buscar me o sr. roberto e estou numa casa aonde caberiam 6 pessoas. de duas das camas, ao acordar vai se ver o mar e bazaruto. eh giro.
vou tomar banho ah praia. abencoada chocas mar. como tu nao existe outra.
o tomas, filho de pintores muito fracos, conquista me com a sua paciencia e meiguice e muitos passaros em pau preto a voarem equilibrados num soh ponto.
sai para jantar sob ´escolta` da gerente da casa rex, que eh belga. veio de gent, a terra aonde vivi mais tempo depois de guimaraes. ao jantar falamos novamente de inseguranca. jantei no terraco com vista para as ilhas e comi mais uma vez um caril de camarao. o empregado nao eh muito simpatico. talvez o enerve os precos que nohs os turistas pagamos por um jantar neste sitio. nao admira que haja tanta inseguranca. o contraste eh imenso. e eu nunca conseguiria viver num sitio, de livre vontade, aonde nao se pudesse sair ah noite em paz para jantar, sem ter medo de se ser assaltado. isso nao eh para mim.